Campus Araranguá realiza ação de reflexão e conscientização em torno do Banco Vermelho
Na tarde desta segunda-feira, 31 de agosto, o Campus Araranguá da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) promoveu um momento de reflexão e conscientização em torno do Banco Vermelho, símbolo da luta pelo enfrentamento à violência contra a mulher.
Um banco. Uma cor. Um luto. Uma dor. Uma luta diária.
O Banco Vermelho simboliza o compromisso do Campus Araranguá da UFSC com o enfrentamento à violência contra a mulher e representa um chamado à sociedade para que essa realidade não seja ignorada, silenciada ou esquecida.
O mês de agosto representa um importante momento de reflexão sobre os desafios que ainda persistem na construção de uma sociedade mais justa, igualitária e livre de violência. O enfrentamento à violência contra a mulher continua sendo uma realidade preocupante no Brasil e também em Santa Catarina.
Dados recentes demonstram a dimensão desse problema. Entre janeiro de 2020 e julho de 2026, foram registrados mais de 483 mil casos de violência contra a mulher em Santa Catarina, incluindo ameaças, calúnias, difamações, lesões corporais, estupros e outras formas de violência. Em 2025, foram registrados 52 feminicídios no estado. De janeiro a julho de 2026, já haviam sido registrados oito feminicídios e 3.223 medidas protetivas requeridas, evidenciando a gravidade do cenário e a necessidade de ações permanentes de prevenção e enfrentamento.
Esses números reforçam a importância da mobilização social e institucional. Nesse contexto, iniciativas de conscientização tornam-se fundamentais. Uma delas é o Projeto Banco Vermelho, que busca sensibilizar a sociedade sobre a violência de gênero e o feminicídio.
Originado na Itália, o projeto consiste na instalação de bancos pintados de vermelho em espaços públicos, acompanhados de mensagens de reflexão e informações sobre canais de denúncia e apoio às vítimas. A cor vermelha simboliza o sangue das mulheres que perderam a vida em decorrência da violência e busca também ocupar, de maneira permanente e visual, os lugares vazios deixados por elas na sociedade.
No Brasil, a iniciativa foi fortalecida pela Lei nº 14.942/2024, que instituiu o Projeto Banco Vermelho como parte das ações de conscientização e prevenção à violência contra a mulher, estimulando a instalação desses bancos em espaços públicos e instituições como forma de promover reflexão, memória e mobilização social.
Mais do que um elemento simbólico, o Banco Vermelho representa um chamado à responsabilidade coletiva. Ele lembra que cada número das estatísticas representa uma vida, uma história e uma família impactada pela violência. Ao mesmo tempo, evidencia a necessidade de fortalecer políticas públicas, redes de apoio e mecanismos de denúncia e proteção.
Nesse sentido, as políticas institucionais de enfrentamento à violência contra a mulher desempenham um papel essencial. A promoção de ações educativas, campanhas de conscientização, canais de acolhimento e denúncia, além da articulação com a rede de proteção e atendimento às vítimas, contribui para a construção de ambientes mais seguros, respeitosos e igualitários.
Ao realizar este momento de reflexão, o Campus Araranguá reafirma seu compromisso institucional com a promoção da equidade de gênero, a defesa dos direitos das mulheres e o enfrentamento de todas as formas de violência. Iniciativas como o Banco Vermelho e a divulgação de dados e políticas de prevenção reforçam que a transformação social depende do engajamento de toda a sociedade na construção de uma cultura de respeito, dignidade e proteção à vida das mulheres.
Hoje, o preto que vestimos é sinal de luto. Luto pelas mulheres que tiveram suas vidas interrompidas pela violência, pelas histórias que não puderam continuar e pelas famílias que carregam ausências que jamais serão preenchidas.
Mas este preto também é protesto. É a expressão da nossa indignação diante de uma realidade que não pode ser naturalizada, silenciada ou tratada apenas como estatística. O luto precisa se transformar em compromisso, e o compromisso precisa se traduzir em atitudes concretas.
Por isso, esta ação também representa um chamado à responsabilidade institucional: que a prevenção, o acolhimento, a proteção e o enfrentamento à violência contra as mulheres sejam práticas permanentes, efetivas e prioritárias na universidade.
Não basta reconhecer a gravidade do problema; é preciso agir.
Que o vermelho seja amor e não dor!









